"QUE A ÁGUA SEJA REFRESCANTE. QUE O CAMINHO SEJA SUAVE. QUE A CASA SEJA HOSPITALEIRA. QUE O MENSAGEIRO CONDUZA EM PAZ NOSSA PALAVRA."
Benção Yoruba
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terça-feira, outubro 25, 2016

XII Congresso Brasileiro de Arteterapia - Salvador 13 a 15 de outubro

Apresentação do tema: Onde os caminhos se cruzam: a construção de uma Ecologia dos Saberes.

Nesta apresentação, tomei como ponto de partida duas citações de Boaventura Souza Santos:

“Toda experiência produz e reproduz conhecimento e, ao fazê-lo, pressupõe uma ou várias epistemologias. Epistemologia é toda a noção ou ideia refletida ou não, sobre as condições do que conta como conhecimento válido. É por via do conhecimento válido que uma dada experiência social se torna intencional e inteligível.” (Santos, 2009)

“...temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.” (Santos, 2003)

A partir dessas  premissas, apresentei as possibilidades e os desafios para o trabalho de narrativas míticas de matriz yorubá em processos arteterapêuticos.




quarta-feira, maio 06, 2015

V Congresso Luso Brasileiro de Arteterapia - RJ



O V Congresso Luso Brasileiro de Arteterapia, cujo tema foi Partilhando Histórias Ancestrais, foi um momento de encontros, aprendizados e inaugurações. Encontros com arteterapeutas de todo Brasil, de Portugal e de Guiné Bissau; um aprendizado sobre nossas diferenças e semelhanças; e inauguração de uma nova maneira de trabalhar com minhas queridas histórias africanas.

Trabalhei intensamente: ministrei um mini curso e uma oficina que avaliei como intensos; apresentei uma performance, cuja construção coletiva (com Adriana Fernandes; Emyly Ferreira; Monique Guimarães; Patrícia Rodrigues e Luciana Craveiro Vilanova) cada dia se mostra mais profunda e eficaz como provocação para o debate; e mediei uma Mesa deliciosa sobre Cultura Popular e Inconsciente Coletivo.

Agradeço à organização, aos colegas e às colegas e, principalmente, agradeço Aquele cuja imagem arquetípica foi o fio condutor de meus trabalhos: LAROYÊ !



André Lobão e o Boi... (Estou no cantinho, dançando)

No mini-curso "Histórias afro-brasileiras e inconsciente cultural na prática arteterapêutica", contando uma das muitas histórias de Exu, o Mensageiro

Arrumação da sala para a oficina: "Onde os Caminhos se cruzam: histórias afro-brasileiras na prática arteterapêutica", onde trabalhamos Exu enquanto Mensageiro do Inconsciente Coletivo (Orun)

Produções da oficina: Onde os Caminhos se cruzam. Uma oficina intensa, com um grupo especialíssimo. Minha gratidão às doces guerreiras, participantes da oficina.

O Boi na Mesa Temática 1 - Inconsciente Coletivo: a grande história ancestral 

terça-feira, outubro 07, 2014

Caldeirão de Histórias no evento Arteterapia no Parque


Tenho poucas certezas nesta vida... Uma delas é que preciso contar histórias para Viver. Foi lindo o Caldeirão de Histórias organizado por Maria Elaine Altoe para o encontro Arteterapia no Parque. 

A materialidade é poderosa, tod@ arteterapeuta sabe disso. O Caldeirão, que deu nome à Roda de Histórias, literalmente "puxou" uma história que não havia pensado em contar rsrsrsrs...E pimba! Saiu a briga de Obá e Oxum pelos dengos de Xangô, muito bem temperada pela receita de quiabos fornecida pelos integrantes da Roda.

Alguns 'soltam a franga' ao contar histórias... Estava tão saudosa das 'minhas africanas' que acho que soltei a "Galinha d'Angola"... Afinal, foi a coquém que, ciscando a areia do bornal da criação, criou a Terra. Salve Ela !







sábado, setembro 20, 2014

Notícias



Escrever é trabalho artesanal. Frequentemente ligada ao ato de tecer, a escrita muitas vezes nos obriga a mergulhar no primordial, buscando o barro mítico que se transforma em carne, e a carne em experiência e a experiência em texto. O quanto moldamos a escrita e o quanto esta, apesar de nossa, nos molda...

Qualifiquei no doutorado, com um texto em personalíssima primeira pessoa. A ousadia foi elogiada pela banca;  porém, só eu sei que não saberia escrever de outra forma... Totalmente implicada em meu projeto de pesquisa me senti incapaz do imponente sujeito indeterminado ou do majestoso 'nós'.

Logo depois, fui à Fortaleza apresentar um trabalho. Fui de ônibus _ 48 horas de estrada... Ouvi histórias de vida, vi o verde exuberante da Bahia se tornar o valente verde do semiárido cearense, vi mulheres rendeiras...

Continuo tecendo e moldando... Lidando com fios e modelando o barro primordial.

sexta-feira, outubro 29, 2010

IX Congresso de Arteterapia - São Paulo/ outubro 2010





Aqui estão alguns registros dos trabalhos que apresentei no IX Congresso de Arteterapia, em São Paulo. 
Na primeira foto, a apresentação de tema em Mesa Coordenada. Este foi um grande desafio, pois estou pesquisando / criando um quadro conceitual para o trabalho que realizo, sinalizando para a importãncia da Cultura Popular no ofício do Arteterapeuta.
Nas demais fotos, a oficina _já minha antiga conhecida_ A oferenda e o dom: caminhar com Oxum em busca as águas doces. Este foi o momento onde demonstrei as proposições apresentadas na Mesa Coordenada. Como sempre, o potencial das histórias afrobrasileiras encantou e estimulou o debate entre os arteterapeutas participantes.
Os dois momentos foram um desafio para Cronos e Kairós, pois a Mesa Coordenada atrasou um pouco e precisei sair depressa para ministrar a oficina; aproveito para agradecer ao Romney, à Vanessa,  à Márcya, à Flávia, à Eliane pela ajuda na ambientação da sala... Só um trabalho de equipe para driblar a correria do horário. Aproveito para agradecer à Angela Philippini, que estava assistindo a Mesa Coordenada, dando uma força, ajudando a organizar a Tropa de Elite dos queridos amigos citados acima para no transporte  do material da oficina para a sala correspondente, enquanto eu apresentava o trabalho na Mesa Coordenada.
Mais uma vez, comprovo que, se não tiver um friozinho na barriga, não rende uma boa história para contar depois.


sexta-feira, março 12, 2010

As histórias e o bom debate


Ontem contei uma história em seminário promovido pelo CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas). Originariamente um Itan do Oráculo de Ifá, a história O Caçador que matou o Pássaro _  publicada sob a forma de reconto dirigido ao público infantojuvenil , por Reginaldo Prandi, no livro Ifá, o adivinho _ é uma de minhas preferidas.

Considero que uma história contada em contexto de seminários, cursos ou centro de estudos tem o dom de provocar reflexão e debates. Desta vez não foi diferente...

Antes de entrar no debate provocado pela narrativa, cumpre um esclarecimento para quem não conhece meu trabalho. Conto histórias de Orixás, tenho o cuidado de contá-las a partir de publicações, ou seja, espero que as mesmas sejam  disponibilizadas para todos e aí então as conto. Não sou iniciada em  religiões de matriz africana, tenho-lhes grande respeito e acredito que narrar seus mitos é uma forma de trabalhar contra a intolerância. Minha experiência profissional me demonstra que escolhi um caminho viável, que venho trilhando com muito estudo e, principalmente, com muito respeito. Mas é terreno delicado, bem sei...

Não me surpreendeu, portanto, quando ao final da história e das excelentes exposições dos palestrantes, fui inquirida por pessoa de grande conhecimento e iniciada no sacerdócio de Ifá quanto à palavra que seria proibida e eu a havia pronunciado (pois estava no texto da história). Corretíssimo aparte, feito com gentileza e afeto.

Sob a ótica da tradição do Ifá, estas histórias são narradas pelos pais do segredo - babalaôs, nunca por mulheres; e um nome, o da entidade feminina de maior poder, não pode jamais ser pronunciado. Acontece que este nome está registrado em vários livros -inclusive neste, de onde retirei a história.

Foi aberto, então, um bom debate. Até que ponto é desrespeito narrar o que é  considerado tabu para um determinado grupo e até que ponto é válido, de maneira respeitosa, narrar o que já está publicado por pesquisadores sérios, comprometidos com o livre pensamento e a tolerância religiosa ?  É, de fato, um debate que só será fecundo se travado em toda a sua complexidade. A história cumpriu sua função.

Ficou curios@ sobre esta entidade? Aqui está  uma indicação para leitura.
  

terça-feira, março 09, 2010

Camélia da Liberdade


Sinto-me honrada em participar deste seminário. Contarei uma história no dia 11, às 14:00 horas.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

I Olimpíada Nacional em História do Brasil - Primeiros relatos



E enfim chegou a grande final da I Olimpíada Nacional em História do Brasil, promovida pela Universidade Estadual de Campinas. Com o patrocínio da 4a. CRE,  da Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro, a equipe EMAT decolou rumo à grande final, na qual 300 aguerridas equipes , provenientes de 22 estados brasileiros, encontraram-se para celebrar _ mais do que para concorrer _ a primeira olimpíada em Ciências Humanas reconhecida como científica pelo CNPq.

Deixei de lado meu folclórico temor por aviões e assumi o  prazer de voar !

Como descrever o final de semana de 11 a 13 de dezembro ? Lembro-me de um trecho de uma história que dizia " e o que aconteceu, nem mil palavras de todos os contadores de histórias são capazes de descrever...", estou me sentindo desta forma; ainda não consigo traduzir em palavras o que foi presenciar o rigor científico e a erudição lado a lado com a emoção e o prazer. Ah, meu bom e velho Heródoto... esta história está mais para Clio, a Musa !

Aos poucos, comentarei as histórias da História. Aguardem novas postagens sobre o tema.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Uma escola pública de qualidade !



Muito se tem falado sobre a qualidade da escola pública. Reconheço que em muitos pontos, a sociedade como um todo e a escola pública _ como uma de suas instituições _ tem muito o que percorrer no que se refere à educação para este novo milênio. Entretanto, não faço coro com as narrativas apocalípticas e muito menos com certos discursos desqualificadores, que em sua aparente isenção e saber tecnocrático, desconsideram o ensino ministrado pela rede pública. Então, vou realizando meu trabalho, sem dar ouvidos às profecias... até porque sei que estas são proferidas para que se autocumpram.
Sinto-me honrada em ser a professora orientadora da equipe EMAT, uma das 300 equipes finalistas da I Olimpíada Nacional de História do Brasil !

Sou grata a Geovanna Macedo, da Perfil Comunicação – Marketing e Assessoria de Imprensa, pelo envio da reportagem digitalizada e, principalmente, pelo empenho para que esta se realizasse.

(*) Clique na imagem para ampiá-la

quinta-feira, junho 11, 2009

Criatividade, Arteterapia e Terapias Expressivas em Porto Alegre





Há cinco anos participo dos congressos organizados pela CENTRARTE-RS, sempre no mês de maio. O deste ano (22 e 23 de maio) teve uma forte identidade: arteterapia e trabalho social. Com a presença de representante da CUFA , aresentação de trabalhos de arteterapia com crianças e jovens em situação de risco, com grupos de policiais militares, com idosos, em humanização dos espaços hospitalares, foi um dos melhores Congressos que já participei.

Gislene e Luiz Felipe, dois grandes Guerreiros da Paz, coordenadores do CENTRARTE assumiram uma nova etapa no caminhar da Instituição; eu, que me considero aliada, fico feliz em participar e, no que puder, contribuir para o sucesso desta escolha.

Minha participação consistiu em ministrar, junto com a querida Márcya Vasconcellos, o workshop Eu, Caçador de mim, no qual trabalhamos o mito de Oxóssi caçando o pássaro enviado po Ya Mi Oxorongá; o grande ensinamento é que ele só dispunha de uma flecha; ou tudo, ou nada... Essa é uma das primeiras histórias que contei... Sempre que me sinto no limite, em alguma situação que requer toda a atenção, na qual chances de acertar ou errar são iguais, esta história me ocorre.

Neste dia, senti o mito na pele... Simplesmente fritei o aparelho de CD _ aqui no RJ, as tomadas são em sua maioria 110v, mas em POA, muitas são 220 _ e o workshop estava apoiado na canção Caçador de Mim, do Milton Nascimento. Só tínhamos uma flecha... e acertamos. Solicitamos que os participantes (20) cantassem, e aí aconteceu aquilo que os contadores de história, intuitivamente sabem: nada se compara ao poder da voz, quando profere palavras significativas... Foi emocionante !

Participei, também, com um relato de experiência. apresentei o trabalho que venho realizando na disciplina Arte, Identidade e Cultura nas Sociedades Contemporâneas, no curso de Pós-graduação em Arteterapia da Clínica POMAR. Parti do princípio que a cultura popular encerra um conhecimento, _ expresso em cores, sons, aromas, narrativas_ fundamental para o arteterapeuta.

Como sempre, saio destes encontros nutrida, fortalecida em minhas escolhas, com muitos questionamentos que, com certeza, contribuirão para futuros trabalhos.

É BOM DEMAIS !



domingo, setembro 28, 2008

Uma contadora de histórias na encruzilhada


Em 26 de setembro, apresentei o trabalho A sala de aula como encruzilhada: uma experiência com narrativas da mitologia yoruba em escolas da rede municipal da cidade do Rio de Janeiro, no IX Congresso da Associação Latino Americana de Estudos Afro-Asiáticos. Fiz parte do Grupo de Trabalho que abordou as diversas experiências em educação.

Com certeza, a apresentação foi a menos acadêmica do dia. Isto significa que apostei na oralidade: iniciei contando uma história e, a partir dela construí minha Palavra. Percebi que a forma de apresentar o tema, apesar de muito bem recebida, causou um pouco de perplexidade. Parece que a performance da oralidade, para utilizar um termo de Paul Zumthor, ao mesmo tempo que fascina, deixa o público, ainda sem saber como classificá-la _ o que em termos acadêmicos me parece ser um pouco desconfortável. Houve o maravilhoso, entendido aqui como a forma de expressar a potencialidade, o desejo , o sutil e a instância da vida que não é passível de quantificação e controle, mas não a reflexão coletiva sobre o papel educacional deste.

Já admirava o trabalho da Azoilda Loretto, a coordeadora do GT; mas esta aposta na contação de histórias dexou-me emocionada e fortalecida: antes de inicarmos, ela perguntou "Você vai contar histórias, não vai ?" e, ao final do dia instou: "Você volta amanhã para contar histórias."

No segundo dia do encontro, dia 27, tornei a contar uma história que, levando em conta a data, foi dos Ibejis. Neste dia a oralidade e seus valores _ o corpo expressivo, o ouvir, a roda, a ancestralidade _ foi mais aprofundada. Tratou-se dos valores do samba, da capoeira e de uma experiência em se trabalhar a partir da cultura brasileira com turmas de aceleração. Todos estes temas , e aí incluo, também, as turmas de aceleração das escolas do município do Rio de Janeiro, tangenciam as instâncias da educação formal. Saí de lá com a sensação que todo o movimento, ritmo, sabor é muito bem aceito desde que reconheça o seu lugar... E qual é este lugar?

Como vocês podem perceber, foi um encontro de extrema fecundidade. Saí de lá com muitas questões quanto à necessidade de incluirmos os valores da oralidade em todos os níveis do ensino formal e, principalmente, senti redobrada a responsabilidade (deliciosa) dos contadores de histórias. Mesmo correndo o risco de me tornar repetitiva, nunca é demais chamar atenção para o fato que, embora tenhamos o aroma dos quatro elementos, não somos perfumaria, mas agentes de um processo de transformação social que passa por rememorar nossa mais antiga forma de fazer política: sentarmo-nos em volta do fogo, em círculo, e trocarmos nossas experiências significativas, utilizando a linguagem cheia de imagens e de flores.

COMO NÃO SOLICITEI A PERMISSÃO PARA UTILIZAR A IMAGEM DAS PESSOAS PRESENTES, PRECISEI DESFOCAR SEUS ROSTOS.

PRODUZI UM TEXTO SOBRE O TEMA. LOGO ELE ESTARÁ DISPONÍVEL AQUI NO !PONTO DO CONTO.

sábado, setembro 20, 2008

A sala de aula como encruzilhada: IX Congresso da ALADAA-B




Dia 26 de setembro apresentarei trabalho no


IX Congresso ALADAA -B: Sociedade Civil Global: Encontros e Confrontos
DIAS 25, 26 e 27 de setembro de 2008

A Associação Latino Americana de Estudos Afro-Asiáticos – ALADAA – que tem por objetivos principais promover intercâmbios acadêmicos e divulgar informações sobre Ásia e África; colaborar com os centros de estudos na América Latina para a formação de professores e pesquisadores sobre Ásia e África; promover os estudos de Ásia e África na América Latina.

A ALADAA do Brasil desde 1978 promove congressos, nacionais e internacionais, periodicamente, buscando sempre ampliar o seu raio de ação, recrutando adeptos e divulgando os temas africanos e asiáticos. Neste ano de 2008, novamente a Universidade Candido Mendes e o seu Centro de Estudos Afro-Asiáticos, caberão a tarefa de organização do IX Congresso da ALADAAB (Associação Latino Americana de Estudos Africanos e Asiáticos do Brasil), como já acontecera com sucesso no ano de 2.000, quando da realizou do X Congresso Internacional da ALADAA, que contou a participação de mais de 350 pesquisadores.


Grupo de Trabalho:
ENCONTROS E CONFRONTOS EDUCACIONAIS: DIALOGANDO SOBRE OS PROCESSOS EMANCIPATÓRIOS EM DIFERENTES CONTEXTOS EDUCATIVOS

Coord: Azoilda Loretto da Trindade

Sessão 4– 26/09 – 16:15-18:15 – Auditório 8º andar

Discursos sobre práticas de letramento da cultura hip hop: é nóis na fita das africanidades brasileiras
Ana Lúcia Silva Souza

A importância de se afrobetizar materiais didáticos de literatura para o ensino médio
Fabiana de Lima Peixoto

A sala de aula como encruzilhada: uma experiência com narrativas da mitologia yoruba em escolas da rede municipal do Rio de Janeiro. (*)
Eliana Nunes Ribeiro

Griôs africanos: uma inspiração para as práticas pedagógicas da ONG grãos de luz e griô
Marco Antonio Leandro Barzano


(*) Resumo:
A SALA DE AULA COMO ENCRUZILHADA: Uma exeriência com narrativas da mitologia yoruba em escolas da rede municipal do Rio de Janeiro.

A contação de histórias _ que engloba o contar e o ouvir _ promove a partilha de impressões sobre a vida e a troca de argumentos . É um ato de bendizer todo um campo simbólico, contido em cada narrativa.
A contação de histórias priorizando a mitologia africana, em ambientes da chamada educação formal, promove o encontro com material simbólico sistematizado no continente africano, recriado nas Américas e relegado à sombra pela cultura eurocêntrica que ainda vigora em nosso sistema de ensino.
Cada mito, ao ser narrado, torna-se uma encruzilhada _ espaço de confluência e recriação cultural _ na qual circularão projeções positivas ou negativas. Promove, com encontros e confrontos, uma ação política que brota do encontro afetivo.

quinta-feira, junho 05, 2008

Notícias de Porto Alegre - II









Para o evento promovido pelo CENTRATE (ver postagem "Notícias de Porto Alegre I), formamos uma equipe para ministrar o workshop: O Vento celebra a Pele e traz a Palavra. Eu, Marcya Vasconcellos, Maria da Glória Garcez e Romney de Oliveira, mergulhamos em um mito de Iansã, pesquisando cores, símbolos, músicas, que dessem conta do campo simbólico da Senhora dos Ventos e Tempestades.

Para a confecção dos mantos, que representariam a pele animal reconquistada, a nossa inspiração foi o trabalho de Arthur Bispo do Rosário.

Sabemos o quão delicado é trabalhar o campo simbólico afro-brasileiro em contexto arteterapêutico; nosso cuidado foi em esclarecer que, embora o mito e a estética afro-brasileira estivessem ali mencionados, tratava-se de um trabalho em Arteterapia. Ao mesmo tempo, cuidamos em reiterar nosso respeito por este campo simbólico, sagrado para sigificativa parcela d@s brasileir@s.

Abaixo, segue o texto que distribuímos após o workshop.


Mitos são histórias que falam, através dos tempos, do significado e do sentido da vida. Embora alguns considerem que os mitos pertencem ao passado, eles se encontram em nosso dia-a-dia, nos filmes de super-heróis, nas histórias em quadrinhos, e em todos os momentos rituais de nossa própria história de vida: do nascimento até o momento da passagem pelo portal da morte. Conhecê-los e entendê-los é uma maneira de dar significado a nossa própria existência. Eles são as pistas que nos ajudam na busca do si-mesmo


Nós, brasileiros, somos o resultado da combinação de diferentes raças. Assim sendo, o nosso imaginário coletivo é povoado por mitos de diferentes origens: indígenas, européias e africanas. Esse é, portanto, o conjunto de mitos que povoa a nossa psique. Conhecê-los e trabalhá-los é ter em mãos a possibilidade de nos aprofundarmos em nossas questões existenciais.

Tendo como fio condutor o mito yorubá no qual Iansã recupera sua pele de búfala, escondida por seu marido, Ogum; o workshop tem como objetivo o trabalho com a identidade.

Escolheu-se o mito de Iansã, de origem africana, como uma maneira de dar vez e voz aos mitos que a sociedade “branca” vem tentando calar ao longo de nossas memórias. Conhecer esse mito, dialogar com seus símbolos, é permitir que aspectos negados até então possam surgir e se integrar à consciência. Com esse objetivo, organizou-se uma vivência em que diferentes recursos expressivos serão utilizados: movimento, som, escrita e imagem.


terça-feira, junho 03, 2008

Notícias de Porto Alegre - I





Nos dias 28 e 29 de maio, ministrei, juntamente com Marcya Vasconcellos, o curso A Escrita Criativa e o Universo das Histórias, Contos e Mitos. O curso fez parte da programação pré- Congresso do VII Congresso Sul Americano de Criatividade , XII Jornada Gaúcha de Arteterapia, IX Encontro de Terapias Expressivas, jornada promovida pelo CENTRARTE (Centro de Estudos, Atendimentos e Pesquisa em Arteterapia, Psicologia e Educação) que este ano, abordou a temática: A CRIATIVIDADE E A ARTE COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL.

Durante dois dias, nove corajosas mulheres mergulharam em suas histórias, buscando seu Texto e sua Voz. Com as mais diversas histórias, atingimos aquilo que para Walter Benjamin é a essência da narrativa: o intercâmbio de experiências significativas.

Marcya Vasconcellos, com o afetuoso brilhantismo que a caracteriza, trabalhou com a Escrita Criativa, facilitando a produção de textos emocionantes. Eu trabalhei com a oralidade, apostando em vivências teatrais para facilitar o encontro com o Contador de Histórias ou, para utilizar o termo de Benjamin, com o Narrador presente em cada indivíduo.

Abordei quatro conceitos que, segundo Liliana Cinetto, ligam os narradores, sejam eles ancestrais ou contemporâneos: rito interpessoal, memória, comunidade e palavra. Aqui estão algumas fotos . Elas demonstram o rito de preparar-se para receber a Fogueira Ancestral, representada por uma vela.

À Gislene Nunes Guimarães e Luis Felipe Guimarães, coordenadores do CENTRARTE e toda a equipe, meus agradecimentos por este encontro.
Às mulheres que confiaram e compartilharam suas histórias, meus agradecimentos, admiração e carinho.

Boas Histórias para o povo acolhedor do Rio Grande do Sul !


terça-feira, janeiro 09, 2007

A Criação da Palavra na Encuzilhada dos Povos

Mãos negras que falam... A Criação da Palavra na Encruzilhada dos Povos.

Eliana Nunes Ribeiro: Arteterapeuta ( AARJ – 143); Cientista Social (UFRJ); Mestre em História Social da Cultura (PUC – RJ); Docente da Secretaria Municipal de Ensino do Rio de Janeiro : Contadora de Histórias.

O imaginário coletivo do Ser chamado brasileiro é prenhe de mitos, provindos de várias matrizes culturais_ indígenas, européias e africanas. A circulação dos diversos mitologemas, contudo, está longe de ser igualitária. Caminha entre expressões e repressões.
Cada mito sistematizado por quaisquer das matrizes culturais que nos formam enquanto povo será, ao ser contado, uma encruzilhada _ espaço de confluência e recriação cultural_ na qual circularão projeções positivas ou negativas. Pensar nos encontros e desencontros entre as diversas narrativas míticas é pensar na dinâmica da psique brasileira _ esse grande caldeirão alquímico, nossa Alma
* multifacetada..
Parte de nossa Alma é fruto de um sequestro _ o tráfico de escravos _ que arrancou, violentamente, nossos ancestrais negros de suas terras. Os mais diversos símbolos vieram a bordo dos navios negreiros, na maioria das vezes, sem o apoio de qualquer objeto material que os contivesse. Vieram na memória, nas histórias contadas.
No projeto civilizatório _ controlado pelo racionalismo europeu, tendo no monoteísmo cristão o grande doador de humanidade, estabelecendo uma alma cristã, através do batismo _ as imagens arquetípicas formadas no continente africano, e reinventadas nas Américas, foram relegadas à sombra.
Teríamos, então o que é chamado por Gambini de preconceito anímico e ditadura psíquica: uma terra de “pretos de alma branca”, onde a alma negra, ou não seria considerada alma ou seria concebida como depositária de defeitos ou de inferioridades. Rejeitar parte da alma é rejeitar parte dos mitos.
O fazer histórico da Alma pressupõe ouvir e contar histórias, pois estas tocam camadas arquetípicas, vivificam. A ação de ouvir e contar histórias não pode ser feita, unilateralmente, pelo intelecto, mas pela vivência , englobando as emoções. Ë ação terapêutica, pois traz a possibilidade de restaurar todo um processo de simbolização. .
Revisitar as histórias afro-brasileiras, seus mitologemas, é tirar da sombra um repertório; fazer circular imagens negadas. Para o Arteterapeuta, acrescenta um caminho a mais para compreensão dos significados coletivos de símbolos materializados durante o processo terapêutico. Faz parte de um trabalho de resgate coletivo da polifonia e policromia constituída de dores, massacres e sequestros, que constituem as histórias que a história oficial ainda não reconhece e que fazem parte do imaginário, da biografia de cada brasileiro ou brasileira.
Bibliografia:

PHILIPPINI, Ângela. Cartografias da Coragem – Rotas em Arte Terapia. Rio
de Janeiro, POMAR, 2001

FORD, Clyde W. O Herói com Rosto Africano : mitos da África. São Paulo:
Summus, 1999.

GAMBINI, Roberto & DIAS, Lucy. Outros 500: uma conversa sobre a alma
brasileira. São Paulo: Editora SENAC: São
Paulo, 1999.

GAMBINI, Roberto. O Espelho Índio: os jesuítas e a destruição da alma
indígena. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1998.

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás, deuses iorubás na África e no Novo
Mundo. 5ª edição, Salvador: Corrupio, 1997.

WHITMONT, Edward C. A Busca do Símbolo: Conceitos básicos de
Psicologia Analítica. São Paulo: Editora Cultrix,
1995.




* O termo Alma é utilizado, aqui, sem conotação religiosa.