"QUE A ÁGUA SEJA REFRESCANTE. QUE O CAMINHO SEJA SUAVE. QUE A CASA SEJA HOSPITALEIRA. QUE O MENSAGEIRO CONDUZA EM PAZ NOSSA PALAVRA."
Benção Yoruba

sábado, agosto 01, 2015

Círculos e espirais

Há 11 anos, quando estava iniciando minha caminhada contando histórias sobre a sabedoria e heroísmo dos Orixás, sentia muitas dúvidas...Teria o direito de contá-las? Estaria, inadvertidamente, faltando ao respeito para com a fé de muitos homens e mulheres? Foi quando, em uma loja de produtos naturais, conversando sobre livros com um ambientalista, fui convidada a participar do Seminário Espaço Sagrado.

Minha participação seria contar histórias para sacerdotes e sacerdotisas de tradições cujos rituais são ligados á natureza...Entre estes, sacerdotes e sacerdotisas de Umbanda e Candomblé...Que desafio!!! Ainda lembro da sensação dos intermináveis segundos entre ser anunciada e começar a contar a história. 

Aquela participação, a acolhida daquelas sábias mulheres e sábios homens foi fundamental para que eu tivesse a tranquilidade em seguir com minha paixão pelas histórias da tradição yorubá e lidar com o grande desafio que é a recepção às mesmas... Sempre desejei agradecer ao ambientalista que me convidou; sempre desejei dizer-lhe dos desdobramentos daquela Roda, contar que o trabalho nutrido por aquele Seminário amadureceu, hoje dá frutos e produz sementes.

Ontem, 11 anos depois, em um Ritual da Lua Cheia, o reencontrei. Pude agradecer, de todo coração, o caminhar que foi aberto naquela floresta! Recordamos o Seminário, a sincronicidade do encontro de 11 anos atrás e já estamos traçando parcerias para novas contações. Grata Patricia Oliveira, pelo convite que me permitiu expressar toda a gratidão que sinto; grata Luciana Craveiro Vilanova por estar presente. Grata Marcelo Prazeres, dirigente do Semeadores da Luz e do Brahma Vidya, pois maravilhosos são os Caminhos!


domingo, junho 21, 2015

Os donos da verdade - Luiz Antonio Simas

Esta é uma de minhas histórias preferidas. A epistemologia decolonial, que preconiza a localização do pesquisador, narrada pela tradição iorubá, por este conto/mito de Exu. Laroyê!
Luiz Antonio Simas é um de meus intelectuais favoritos, pois sua narrativa vem da encruzilhada, este lugar epistemológico que ainda precisamos descobrir e assumir.

Luiz Antonio Simas: Os donos da verdade

Em tempos intolerantes, escutem a lição de Exu e ensaiem outras miradas antes de matar ou morrer por crenças

O DIA
Rio - Contam os iorubás que o orixá Exu um dia resolveu desafiar dois sabichões arrogantes na praça do mercado. Eles garantiam, cheios de teorias, conhecer a verdade sobre determinado acontecimento que abalou o povo. Exu afirmou aos doutores que o dono da razão é aquele que consegue dizer qual é a cor do gorro que ele leva na cabeça. Feito isso, Exu colocou os sabichões em lados diferentes da feira e passou pelo meio deles, gingando ao som dos tambores ancestrais. Acontece que a carapuça do orixá era vermelha de um lado e preta do outro. O que olhou Exu pela direita enxergou o filá preto; o que o olhou pela esquerda viu um gorro vermelho.
Um não admitiu que o outro pudesse estar certo e os dois acabaram se matando em nome da verdade absoluta. Exu soltou a gargalhada zombeteira e seguiu seu caminho, em busca de um bode para descarnar, realizando assim uma de suas funções mais sofisticadas: a de gerar a confusão que, no fim das contas, nos redime e ensina.
A polêmica que envolve a verdadeira cor da carapuça de Exu, o andarilho, destrói a pretensão dos sábios em relação ao domínio da verdade. Ela expõe ainda a sofisticada e ancestral visão de Ifá — o corpo literário com os poemas iorubás da criação — sobre versão dos fatos, questionamento da verdade histórica e disputa pela narrativa; temas tão presentes nestes tempos em que todos parecem dispostos a matar e morrer por crenças e certezas.
A respeito desses babados, li boas reflexões de gente citando Nietzsche, Derrida, Foucault etc. Quero, com este texto modesto, contribuir de mansinho, na quebrada dos tempos, citando a minha maior referência no campo da teoria da História. Já que sou adepto da epistemologia da macumba e tenho por hábito olhar o mundo a partir das encruzilhadas, revelo: Elegbara, mais conhecido como Exu, é o meu teórico do conhecimento predileto.
O fato é que o compadre — um craque nas questões que coloca em suas aventuras — já tinha exposto antes dos alemães e dos franceses esse problema da verdade dos fatos com grande competência.
Fica a dica para tempos difíceis e intolerantes: escutem a lição de Exu e ensaiem outras miradas antes de arrotar sentenças, matar ou morrer por causa de alguma verdade indiscutível. E dancemos enquanto os atabaques tocam.







http://odia.ig.com.br/diversao/2015-06-20/luiz-antonio-simas-os-donos-da-verdade.html

XV Moitará de Histórias do !Ponto do Conto - "Historias para Mudar o Mundo"



Neste dia 21, contamos Histórias para Mundar o Mundo, entrando em rede com a Red Internacional de Cuentacuentos.
Mesmo com um tempo instável, 7 pessoas _ como as 7 notas musicais ou as 7 cores do arco-íris _ formaram o círculo para contar histórias. Incrivelmente, as histórias apresentaram símbolos e imagens recorrentes... É a Palavra, com toda sua força, proporcionando momentos inesquecíveis... Minha gratidão à Ana Lucia Pó, Adélia Azevedo, Maria Elaine Altoe, Regina Porto, Valdelice Costa e Daniel, filho da querida Ana Lúcia, que nos brindou com sua primeira participação. 
A tod@s @s corajos@s, que enfrentaram os chuviscos incidentais e o ventinho do inverno, minha gratidão.



quarta-feira, maio 06, 2015

V Congresso Luso Brasileiro de Arteterapia - RJ



O V Congresso Luso Brasileiro de Arteterapia, cujo tema foi Partilhando Histórias Ancestrais, foi um momento de encontros, aprendizados e inaugurações. Encontros com arteterapeutas de todo Brasil, de Portugal e de Guiné Bissau; um aprendizado sobre nossas diferenças e semelhanças; e inauguração de uma nova maneira de trabalhar com minhas queridas histórias africanas.

Trabalhei intensamente: ministrei um mini curso e uma oficina que avaliei como intensos; apresentei uma performance, cuja construção coletiva (com Adriana Fernandes; Emyly Ferreira; Monique Guimarães; Patrícia Rodrigues e Luciana Craveiro Vilanova) cada dia se mostra mais profunda e eficaz como provocação para o debate; e mediei uma Mesa deliciosa sobre Cultura Popular e Inconsciente Coletivo.

Agradeço à organização, aos colegas e às colegas e, principalmente, agradeço Aquele cuja imagem arquetípica foi o fio condutor de meus trabalhos: LAROYÊ !



André Lobão e o Boi... (Estou no cantinho, dançando)

No mini-curso "Histórias afro-brasileiras e inconsciente cultural na prática arteterapêutica", contando uma das muitas histórias de Exu, o Mensageiro

Arrumação da sala para a oficina: "Onde os Caminhos se cruzam: histórias afro-brasileiras na prática arteterapêutica", onde trabalhamos Exu enquanto Mensageiro do Inconsciente Coletivo (Orun)

Produções da oficina: Onde os Caminhos se cruzam. Uma oficina intensa, com um grupo especialíssimo. Minha gratidão às doces guerreiras, participantes da oficina.

O Boi na Mesa Temática 1 - Inconsciente Coletivo: a grande história ancestral 

sábado, março 28, 2015

Quem segura o Estandarte tem Arte, tem Arte! PG19


     Um momento de grande beleza, quando oito meses de trabalho intenso se transformam em um Estandarte. 
     Gratidão mulheres da PG19! Foi lindo! 
     Um abraço carinhoso.



segunda-feira, março 02, 2015

XIV Moitará de Histórias do !Ponto do Conto







Sob a proteção de Ossanha, o Senhor das Folhas que curam e fortalecem o Axé, realizamos o XIV Moitará. As boas histórias circularam com muita alegria e afeto em nossa roda. Minha gratidão a todos os presentes pela construção coletiva deste encontro.

Mais fotos do XIV Moitará de Histórias aqui: