"QUE A ÁGUA SEJA REFRESCANTE. QUE O CAMINHO SEJA SUAVE. QUE A CASA SEJA HOSPITALEIRA. QUE O MENSAGEIRO CONDUZA EM PAZ NOSSA PALAVRA."
Benção Yoruba

terça-feira, outubro 25, 2016

XII Congresso Brasileiro de Arteterapia - Salvador 13 a 15 de outubro

Apresentação do tema: Onde os caminhos se cruzam: a construção de uma Ecologia dos Saberes.

Nesta apresentação, tomei como ponto de partida duas citações de Boaventura Souza Santos:

“Toda experiência produz e reproduz conhecimento e, ao fazê-lo, pressupõe uma ou várias epistemologias. Epistemologia é toda a noção ou ideia refletida ou não, sobre as condições do que conta como conhecimento válido. É por via do conhecimento válido que uma dada experiência social se torna intencional e inteligível.” (Santos, 2009)

“...temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.” (Santos, 2003)

A partir dessas  premissas, apresentei as possibilidades e os desafios para o trabalho de narrativas míticas de matriz yorubá em processos arteterapêuticos.




Trabalho em São Luís

Logo após entregar a versão definitiva, encadernada e engalanada da tese, fui convidada por Cláudia Brasil e André Lobão para trabalhar um módulo na primeira turma de Formação de Arteterapeutas de São Luís. Foram quatro dias intensos, em pleno São João, visitando barracões de Bois e terreiros de Encantaria para debater todo este caldeirão de experiências á luz da prática arteterapêutica. À Cláudia e ao André, agradeço o convite e a confiança. Ao grupo delicioso de arteterapeutas em formação de São Luís do Maranhão, grata pela acolhida e entrega às propostas.

GRUPO DE ARTETERAPEUTAS EM FORMAÇÃO DE SÃO LUÍS REUNIDOS NO BARRACÃO DO BOI DE APOLÔNIO

Notícias da tese


 Finalmente doutora!
Após um ano de 2015 extremamente triste em seu final, quando minha querida orientadora tornou-se encantada, juntei o que me restava de forças para terminar a tese e defendê-la. Sou imensamente grata à profa. dra. Silvia Balestreri Nunes, minha co-orientadora, pela orientação e pelo acolhimento na dor. A banca, composta pelos profs. drs. Samira Costa, Cláudia Miranda, Gabriel Jardim, Catalina Revollo, Cláudio Cavas, Tânia Maciel (que afetuosamente assinou a tese, permitindo contudo, que para fins de registro fosse mantido o nome de minha querida e saudosa orientadora Maria Inácia D'Ávila Netto) agradeço pela acolhida generosa à minha pesquisa e pelos comentários que tanto a engrandeceram e apontaram múltiplos caminhos para se desenvolvimento.

Aqui vai o link para a tese cujo título título é: Poéticas Políticas:O Teatro do Oprimido como ferramenta de reflexão para a prática da pesquisa psicossocial






sábado, agosto 01, 2015

Círculos e espirais

Há 11 anos, quando estava iniciando minha caminhada contando histórias sobre a sabedoria e heroísmo dos Orixás, sentia muitas dúvidas...Teria o direito de contá-las? Estaria, inadvertidamente, faltando ao respeito para com a fé de muitos homens e mulheres? Foi quando, em uma loja de produtos naturais, conversando sobre livros com um ambientalista, fui convidada a participar do Seminário Espaço Sagrado.

Minha participação seria contar histórias para sacerdotes e sacerdotisas de tradições cujos rituais são ligados á natureza...Entre estes, sacerdotes e sacerdotisas de Umbanda e Candomblé...Que desafio!!! Ainda lembro da sensação dos intermináveis segundos entre ser anunciada e começar a contar a história. 

Aquela participação, a acolhida daquelas sábias mulheres e sábios homens foi fundamental para que eu tivesse a tranquilidade em seguir com minha paixão pelas histórias da tradição yorubá e lidar com o grande desafio que é a recepção às mesmas... Sempre desejei agradecer ao ambientalista que me convidou; sempre desejei dizer-lhe dos desdobramentos daquela Roda, contar que o trabalho nutrido por aquele Seminário amadureceu, hoje dá frutos e produz sementes.

Ontem, 11 anos depois, em um Ritual da Lua Cheia, o reencontrei. Pude agradecer, de todo coração, o caminhar que foi aberto naquela floresta! Recordamos o Seminário, a sincronicidade do encontro de 11 anos atrás e já estamos traçando parcerias para novas contações. Grata Patricia Oliveira, pelo convite que me permitiu expressar toda a gratidão que sinto; grata Luciana Craveiro Vilanova por estar presente. Grata Marcelo Prazeres, dirigente do Semeadores da Luz e do Brahma Vidya, pois maravilhosos são os Caminhos!


domingo, junho 21, 2015

Os donos da verdade - Luiz Antonio Simas

Esta é uma de minhas histórias preferidas. A epistemologia decolonial, que preconiza a localização do pesquisador, narrada pela tradição iorubá, por este conto/mito de Exu. Laroyê!
Luiz Antonio Simas é um de meus intelectuais favoritos, pois sua narrativa vem da encruzilhada, este lugar epistemológico que ainda precisamos descobrir e assumir.

Luiz Antonio Simas: Os donos da verdade

Em tempos intolerantes, escutem a lição de Exu e ensaiem outras miradas antes de matar ou morrer por crenças

O DIA
Rio - Contam os iorubás que o orixá Exu um dia resolveu desafiar dois sabichões arrogantes na praça do mercado. Eles garantiam, cheios de teorias, conhecer a verdade sobre determinado acontecimento que abalou o povo. Exu afirmou aos doutores que o dono da razão é aquele que consegue dizer qual é a cor do gorro que ele leva na cabeça. Feito isso, Exu colocou os sabichões em lados diferentes da feira e passou pelo meio deles, gingando ao som dos tambores ancestrais. Acontece que a carapuça do orixá era vermelha de um lado e preta do outro. O que olhou Exu pela direita enxergou o filá preto; o que o olhou pela esquerda viu um gorro vermelho.
Um não admitiu que o outro pudesse estar certo e os dois acabaram se matando em nome da verdade absoluta. Exu soltou a gargalhada zombeteira e seguiu seu caminho, em busca de um bode para descarnar, realizando assim uma de suas funções mais sofisticadas: a de gerar a confusão que, no fim das contas, nos redime e ensina.
A polêmica que envolve a verdadeira cor da carapuça de Exu, o andarilho, destrói a pretensão dos sábios em relação ao domínio da verdade. Ela expõe ainda a sofisticada e ancestral visão de Ifá — o corpo literário com os poemas iorubás da criação — sobre versão dos fatos, questionamento da verdade histórica e disputa pela narrativa; temas tão presentes nestes tempos em que todos parecem dispostos a matar e morrer por crenças e certezas.
A respeito desses babados, li boas reflexões de gente citando Nietzsche, Derrida, Foucault etc. Quero, com este texto modesto, contribuir de mansinho, na quebrada dos tempos, citando a minha maior referência no campo da teoria da História. Já que sou adepto da epistemologia da macumba e tenho por hábito olhar o mundo a partir das encruzilhadas, revelo: Elegbara, mais conhecido como Exu, é o meu teórico do conhecimento predileto.
O fato é que o compadre — um craque nas questões que coloca em suas aventuras — já tinha exposto antes dos alemães e dos franceses esse problema da verdade dos fatos com grande competência.
Fica a dica para tempos difíceis e intolerantes: escutem a lição de Exu e ensaiem outras miradas antes de arrotar sentenças, matar ou morrer por causa de alguma verdade indiscutível. E dancemos enquanto os atabaques tocam.







http://odia.ig.com.br/diversao/2015-06-20/luiz-antonio-simas-os-donos-da-verdade.html

XV Moitará de Histórias do !Ponto do Conto - "Historias para Mudar o Mundo"



Neste dia 21, contamos Histórias para Mundar o Mundo, entrando em rede com a Red Internacional de Cuentacuentos.
Mesmo com um tempo instável, 7 pessoas _ como as 7 notas musicais ou as 7 cores do arco-íris _ formaram o círculo para contar histórias. Incrivelmente, as histórias apresentaram símbolos e imagens recorrentes... É a Palavra, com toda sua força, proporcionando momentos inesquecíveis... Minha gratidão à Ana Lucia Pó, Adélia Azevedo, Maria Elaine Altoe, Regina Porto, Valdelice Costa e Daniel, filho da querida Ana Lúcia, que nos brindou com sua primeira participação. 
A tod@s @s corajos@s, que enfrentaram os chuviscos incidentais e o ventinho do inverno, minha gratidão.



quarta-feira, maio 06, 2015

V Congresso Luso Brasileiro de Arteterapia - RJ



O V Congresso Luso Brasileiro de Arteterapia, cujo tema foi Partilhando Histórias Ancestrais, foi um momento de encontros, aprendizados e inaugurações. Encontros com arteterapeutas de todo Brasil, de Portugal e de Guiné Bissau; um aprendizado sobre nossas diferenças e semelhanças; e inauguração de uma nova maneira de trabalhar com minhas queridas histórias africanas.

Trabalhei intensamente: ministrei um mini curso e uma oficina que avaliei como intensos; apresentei uma performance, cuja construção coletiva (com Adriana Fernandes; Emyly Ferreira; Monique Guimarães; Patrícia Rodrigues e Luciana Craveiro Vilanova) cada dia se mostra mais profunda e eficaz como provocação para o debate; e mediei uma Mesa deliciosa sobre Cultura Popular e Inconsciente Coletivo.

Agradeço à organização, aos colegas e às colegas e, principalmente, agradeço Aquele cuja imagem arquetípica foi o fio condutor de meus trabalhos: LAROYÊ !



André Lobão e o Boi... (Estou no cantinho, dançando)

No mini-curso "Histórias afro-brasileiras e inconsciente cultural na prática arteterapêutica", contando uma das muitas histórias de Exu, o Mensageiro

Arrumação da sala para a oficina: "Onde os Caminhos se cruzam: histórias afro-brasileiras na prática arteterapêutica", onde trabalhamos Exu enquanto Mensageiro do Inconsciente Coletivo (Orun)

Produções da oficina: Onde os Caminhos se cruzam. Uma oficina intensa, com um grupo especialíssimo. Minha gratidão às doces guerreiras, participantes da oficina.

O Boi na Mesa Temática 1 - Inconsciente Coletivo: a grande história ancestral