"QUE A ÁGUA SEJA REFRESCANTE. QUE O CAMINHO SEJA SUAVE. QUE A CASA SEJA HOSPITALEIRA. QUE O MENSAGEIRO CONDUZA EM PAZ NOSSA PALAVRA."
Benção Yoruba

quinta-feira, julho 26, 2007

Com a Palavra, Amadou Hampaté Bâ:


IMAGEM: Maitre Baoba - Vally Saunier . Disponível em http://www.vallycreation.com/

"A tradição deve ser considerada como uma árvore. Há o tronco, mas há também os galhos. E uma árvore sem galhos não dá sombra. É por isso que as tradições devem podar elas mesmas os galhos que morrem. Sou contra a conservação cega e total das tradições como sou contra a negação total das tradições porque isso seria uma negação, uma abdicação da personalidade africana."

Amadou Hampâté Bâ

Fotos do IV Moitará de Histórias



O IV Moitará de histórias representou uma transformação qualitativa (que já se esboçara no III Moitará); passamos a refletir sobre o repertório, apresentado a partir do tema proposto.Verificamos que a representação da religiosidade popular, nesta tribo que se reuniu para o escambo de narrativas, foi através de imagens da tradição católica. Sinalizamos, também, a presença de histórias sobre a morte. No bate-papo que sempre acontece após encontro, concluímos que o tema ressoou em nossas raízes familiares, tanto que foram lembrados os tios e avós contadores de histórias. Agradeço ao Povo das Histórias que, além da troca de narrativas, propiciou momentos de reflexão e construção de uma sabedoria coletiva.

As fotos e comentários sobre o IV Moitará de Histórias estão disponíveis em:

http://moitaradehistoriasdopontodoconto.blogspot.com/

quarta-feira, julho 25, 2007

Oficina com a Cia. de Jovens Griot's


Dia 14 de julho, coordenei uma oficina que aqueceu minh'Alma! Fui apresentada aos Jovens Griots. Para contar esta história, passo a Palavra ao grupo, para que apresente seu trabalho:


Cia de Jovens Griot's - "encantadores de histórias"


“A viagem obriga-nos a sermos outros,a deslocarmos para fora de nós”(Mia Couto)

Criada em outubro de 2003 em São João de Meriti na Baixada Fluminense região metropolitana do Rio de Janeiro. A companhia inspirada nos Griôts africanos pesquisa contos da mitologia e diáspora Africana no Brasil e recolhe historias de anciões das comunidades onde vivem.
O objetivo ao partilhar as historias é contribuir para o fortalecimento do imaginário, das identidades e do respeito ás diferenças entre crianças, adolescentes e jovens negros e não negros.
A companhia desenvolve um sentido ético e estético de atuação pautada no respeito a alteridade, combate ao racismo, a intolerância e o preconceito numa perspectiva weberiana de reencantamento do mundo e resistência cultural .
Além das historias contadas de “memória afetiva” como na tradição oral, companhia faz leituras de livros e montagem de espetáculos com as historias dramatizadas.
A “contação de histórias” é a teia de comunicação e sinergia que integra técnicas circenses, musicas, danças e folguedos de origens afro-brasileira.
FONTE: http://www.ciadejovensgriots.org.br


Meu trabalho é o de assinalar e nutrir o Contador de Histórias que cada jovem traz em si, uma vez que o projeto entrará em uma nova etapa: contar histórias africanas e afro-brasileiras em escolas.
São encontros como este que me fazem ter a certeza que existe uma rede, cada vez maior, trabalhando por uma cultura de Paz. Gente é para brilhar!

Reparem em Radamés Nefer Tut, todo prosa, ganhando colo dos Jovens Griots.

sexta-feira, julho 13, 2007

Fotos do III Moitará de Histórias




E então, quinhentos e sete anos depois da invasão das terras que hoje chamamos BRASIL, contadores de histórias se reuniram para celebrar os povos que aqui estão há mais de trinta mil anos. Foi o III Moitará de histórias do !Ponto do Conto.

A sabedoria indígena, contida nas diversas histórias, chegou-nos por diversos caminhos: o caminho da transmissão oral, como Ana Cássia e sua avó Jubiaciara, da tribo dos Tremembé; chegou-nos, majoritariamente, através de pesquisa bibliogáfica (aqui incluída a web) e cariocamente, chegou-nos via samba enredo _ a primeira vez que ouvi o mito karajá de Tainah Kan foi em um samba de um bloco, na Ilha do Governador.

Agradeço ao Povo das Histórias por fazer-se presente em um domingo de sol bem carioca e mostrar a força efetiva e afetiva de uma Roda de Contação de Histórias.

As fotos do III Moitará de Histórias encontram-se disponíveis em:


IMAGEM de: O Casamento entre o Céu e a Terra, de Leonardo Boff. Ed. Salamandra

domingo, julho 08, 2007

Formatura dos voluntários do Projeto Viva e Deixe Viver

Ontem, dia 7 de julho, 184 pessoas acrescentaram mais brilho à humanidade. Foi a formatura dos novos voluntários (184) do Projeto Viva e Deixe Viver que, no Rio de Janeiro é implementado pela ONG Rio de Histórias.O Projeto capacita voluntários para atuar, como contadores de histórias, junto a crianças e adolescentes hospitalizados.
Os voluntários passaram por período de cinco meses de capacitação (incluindo estágio semanal durante um mês) e ontem participaram de um carinhoso rito de passagem, com a entrega simbólica do avental, muita música e contação de histórias.Como voluntária "fazedora" do projeto, estive presente para contar histórias e desejar bom trabalho aos formandos.
A esses maravilhosos seres humanos, que elegeram a contação de histórias como ferramenta para o exercício de seu voluntariado_ percebendo assim, a importância dessa sabedoria ancestral para a humanização das relações_ minha mais profunda admiração !

As fotos da Formatura podem ser acessadas em:

http://picasaweb.google.com/teylor/RioDeHistRiasFORMATURA?authkey=6ekgBILDP0I

domingo, julho 01, 2007

Com a Palavra, Mia Couto:


IMAGEM: Fotograma do filme POWAQQATSI , de Ron Fricke e Mark Magidson (Disponível em www.spiritofbaraka.com)


"Creio que a literatura é exatamente isso: levar a que a história case com a História. A apetência de escutar e contar histórias está dentro de nós. Eu seria uma pessoa pobre se não fosse capaz de produzir histórias, de fazer da minha própria vida uma narrativa que posso emendar, apagar, enfeitar. E eu não sou diferente de ninguém. Uma certa racionalidade nos fez envergonhar deste apetite,atirando a história para o domínio da infantilidade. Essa estigmatização da pequena história está presente na própria literatura: veja a forma como se secundariza o conto em relação ao romance. O advento e a hegemonia da escrita são também responsáveis por essa marginalização da oralidade."
Trecho de entrevista do autor moçambicano Mia Couto publicada no Caderno Prosa & Verso - O GLOBO, SÁBADO, 30 DE JUNHO DE 2007